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Rede de pesquisa analisa vegetação de florestas alagáveis na Amazônia7

 

Rede de pesquisa analisa vegetação de florestas alagáveis na Amazônia

Estudos da Ufopa foram destaque em edição especial do Globo Repórter

A Amazônia é conhecida pelas florestas tropicais de terra firme, famosas pelas árvores de grande porte e pela megadiversidade. Atravessada por grandes rios, também abriga em parte do território uma considerável área úmida: 30% é ocupado por zonas ripárias, formadas por igarapés e florestas alagáveis. Apesar da notável presença, os estudos sobre esses ambientes ainda são poucos.

Desde 2017, a Rede Ripária reúne pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para descobrir como as áreas úmidas da Amazônia funcionam e como as espécies de plantas se adaptam a esses ambientes. Com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa multidisciplinar é liderado pelo Inpa. Na Ufopa, participam da rede os professores Thiago André e Leidiane Leão, do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA), Amanda Mortati, do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef).

A vegetação ripária, destacada na edição especial do programa Globo Repórter sobre Alter do Chão, é aquela que fica às margens dos cursos de água, sob influência de inundações. Quando o rio sobe e alaga a vegetação ripária, a quantidade de oxigênio do solo diminui, dificultando a respiração das plantas, que é feita principalmente pelas raízes. Mesmo sob a água, essas plantas conseguem resistir, graças às adaptações desenvolvidas ao longo de milhares de anos.

A rede concentra pesquisas em três bacias hidrográficas: a do rio Abacate, que fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uatumã, no Amazonas; a do rio Falsino, na Floresta Nacional do Amapá; e a do rio Cupari, na Flona do Tapajós, Pará. Os três sítios apresentam características bem diferentes em relação à composição e configuração dos rios, permitindo a observação de uma grande variedade de ambientes.

Ao longo de cada bacia, foram estabelecidas 21 parcelas para coletar dados relativos às águas dos rios e lençóis freáticos, à chuva, e ao solo e vegetação. As informações são cruzadas e comparadas para detectar padrões de ocorrência e distribuição de plantas ripárias em relação, por exemplo, ao nível de inundação a que são submetidas.

De acordo com os pesquisadores, ter dados precisos de como é o funcionamento natural, isto é, sem interferência humana, de um sistema tão diverso é importante para propor medidas de recuperação de áreas degradadas. A bióloga Amanda Mortati explica que, “quando entendemos um pouco da variação natural do sistema, conseguimos dimensionar melhor a magnitude do efeito antrópico. Saber qual o efeito, sua extensão e intensidade é o passo que tem que ser dado para recuperar”.

“Em geral, na Amazônia, a gente não conhece como o sistema naturalmente funciona, porque é muito complexo. Ainda estamos tentando entender essa complexidade, mas claro que num ritmo acelerado porque a degradação está vindo muito rápido”, complementa Thiago André.

VEGETAÇÃO RESISTENTE – Um dos pontos observados é a quantidade de espécies que ocorrem em cada local. As florestas de igarapés, de terra firme, têm uma quantidade maior que as alagáveis. “Quanto mais tempo a vegetação fica alagada, quanto maior a cota de inundação, menos espécies resistem. Então, há uma simplificação na composição de espécies dessas áreas que são extremamente alagadas, que são os igapós e várzeas”, afirma Amanda.

Por outro lado, análises preliminares detectaram que as áreas intermediárias da bacia – aquelas que não estão na terra firme, tampouco na planície de inundação – podem apresentar os maiores valores de diversidade de árvores, como é o caso da bacia do Rio Cupari.

Segundo o estudo, outro fator que interfere no crescimento da vegetação é a característica do rio. Rios de água branca, como o Amazonas, são mais ricos em nutrientes e “alimentam” o solo com os sedimentos que carregam. Eles irrigam as florestas de várzea, que são mais produtivas. Já os rios de água clara têm um pH mais ácido, como o Tapajós, nascem em áreas de solo muito antigo e não trazem tantos sedimentos. Eles abastecem as áreas de igapó, que crescem mais devagar.

ESTUDOS GENÉTICOS – Os pesquisadores afirmam que a dinâmica de funcionamento é mais fácil de ser compreendida em pontos extremos. Na foz do rio Abacate, por exemplo, há apenas uma espécie de planta, a macacarecuia (Eschweilera tenuifolia), também muito comum nos igapós do Baixo Tapajós. Segundo Amanda, isso ocorre devido ao terreno plano e aberto, que favorece um grande nível de alagamento e no qual apenas aquela espécie é capaz de sobreviver.

Porém, o que ocorre na zona intermediária ainda é pouco conhecido. “Conseguimos entender bem o que é uma floresta totalmente alagável monoespecífica [com apenas uma espécie vegetal]. E temos a máxima diversidade de áreas úmidas nos igarapés, na terra firme. Entre esses dois extremos, existe um intermediário que é gigantesco, e que conhecemos pouco”, comenta Amanda.

As ferramentas moleculares podem auxiliar a responder algumas questões, principalmente quanto à evolução das espécies. Em que ponto do rio uma planta que ocorre lá no igarapé começa a demonstrar sinais de adaptação para áreas mais encharcadas? O arumã (do gênero Ischnosiphon), bastante usado por indígenas para confecção de cestarias, ocorre ao longo de todas as três bacias e está sendo estudado para que os pesquisadores identifiquem essas variações.

“Temos amostras da mesma espécie de planta que tanto está sob a condição extrema de alagamento dos igapós quanto aquelas que estão em volta dos igarapés. Vamos detectar claramente em que ponto intermediário desse gradiente começamos a ver o sinal da seleção natural que a pressão do alagamento está fazendo nas populações”, detalha Thiago.

Já foram coletadas amostras de folhas da planta do gênero Ischnosiphon em 9 pontos de cada bacia. Agora, o desafio é sequenciar os DNAs e compará-los entre si para detectar onde estão as alterações.

PESQUISAS INTEGRADAS – A aproximação entre as instituições já rendeu, além da rede, um acordo de cooperação para o fortalecimento de grupos de pesquisa, a criação do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Ufopa (PGGBEES) e a aprovação em edital do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), também entre a Ufopa, o Inpa e a Unifap. Na Ufopa, as pesquisas em biodiversidade envolvem um grupo atuante de professores do ICTA, Ibef e Iced, além de estudantes de graduação e pós-graduação.

Fonte: RG 15/O Impacto e Ufopa

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