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Quem contratou o caminhão que caiu em abismo e matou quatro trabalhadores?

Quem contratou o caminhão que caiu em abismo e matou quatro trabalhadores?

O acidente na região do Corta Corda que vitimou quatro pessoas ainda tem muita repercussão em Santarém. Isso porque supostamente o veículo e os quatro trabalhadores teriam sido contratados pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para trazer para a cidade uma grande carga de madeira que teria sido doada pelo Ibama para a instituição educacional. Com a fatalidade, esse contrato de frete passou a ser questionado, tendo em vista que a universidade não prestou, pelo menos até o momento, nenhum tipo de assistência à família das vítimas e nem mesmo deu todos os esclarecimentos necessários.

Após o acidente e o resgate dos corpos, o delegado e superintendente da Polícia Civil do Baixo Amazonas, Jamil Casseb, informou ainda no sábado, dia 21, que o veículo estava a serviço da Ufopa. Ele também deu detalhes de como seu deu o trágico acidente.

“Uma fatalidade muito grande que tirou a vida desses trabalhadores, que estavam a serviço da Ufopa. No momento do retorno o caminhão estava carregado e em uma descida muito íngreme com uma curva ao final, ele não conseguiu realizar a curva, passou direto, caiu em um abismo e capotou umas três vezes”, contou o delegado.

Logo após a veiculação de que a instituição teria envolvimento no carregamento de madeira, a mesma emitiu uma nota negando que tivesse contratado o caminhão para frete e que iria apurar o fato.

“A Universidade Federal do Oeste do Pará lamenta profundamente o acidente ocorrido nesta sexta-feira, 20 de setembro de 2019, na região de Corta Corda, e vem a público esclarecer que não contratou nenhum tipo de serviço de transporte para a área e que está apurando o caso. A Instituição reforça sua solidariedade às famílias das vítimas e se mantém à disposição para prestar esclarecimentos adicionais”, diz a nota da Ufopa.

A informação vai de encontro com o relatado pelo delegado. Para piorar, após a publicação da nota, a instituição não mais prestou nenhum tipo de esclarecimento, preferindo adotar o silêncio. Vale ressaltar que existem registros fotográficos de um veículo da Ufopa no local onde a madeira havia sido apreendida.

IBAMA

Tendo em vista que o Ibama é tido como o doador da madeira para a Ufopa, o órgão também foi questionado sobre o contratação do caminhão. Segundo o Ibama, a responsabilidade pelo transporte é da beneficiada pela doação da madeira – ou seja, a Ufopa. Além disso, o Instituto afirma que não possui autonomia para contratar esse tipo de serviço e que o contato feito pelo órgão para apoio na operação de retirada da madeira foi com o Exército Brasileiro, seguindo todos os protocolos.

DEPOIMENTO DO DONO DO CAMINHÃO

Ordinelson Almeida era o dono do caminhão que caiu no abismo na região do Corta Corda. Segundo ele, um funcionário do Ibama entrou em contato para buscar uma grande quantidade de madeira na região do Corta Corda, tendo como destino um campus da Ufopa.

Segundo ele, o combinado seria de receber o valor de R$ 2 mil por viagem, sendo que para trazer toda a madeira seria necessária cerca de 20 viagens. Ordinelson afirma ter recebido mil reais de um funcionário do Ibama em frente ao residencial Cravo do Maicá, na Curuá-Una, e mais mil reais já no velório de uma das vítimas.

Quem teria lhe repassado essa quantia seria um professor da Ufopa, conhecido apenas como Raul. O tal professor teria afirmado a Ordinelson que veria como a Instituição poderia ajudar, mas depois daquele momento não deu mais notícias.

POSICIONAMENTO DA UFOPA

Tendo em vista as inúmeras lacunas dentro de todo o caso, o Jornal O Impacto entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Ufopa, em busca dos devidos esclarecimentos. Entre as perguntas feitas pelo Jornal, se questionava se de fato a Instituição teria feito tal contrato de frete, e se não, por que então teria um veículo da instituição no meio da apreensão e o nome da mesma veiculado como contratante do caminhão.

Além disso, questionou-se o que a mesma já teria conseguido apurar sobre o caso, tendo em vista que em nota afirmou estar averiguando porque o nome da Ufopa estava sendo veiculado como a contratante do caminhão. A instituição divulgou a seguinte nota de esclarecimento:

“A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) reafirma as informações repassadas em nota emitida no sábado, 21 de setembro, e aproveita para repassar novas informações apuradas após o acidente que vitimou quatro pessoas na região do Corta Corda, durante transporte de uma carga de madeira apreendida pelo Ibama.

Esclarece que, de fato, os 200 metros cúbicos de madeira foram doados à Universidade e que, para fazer o transporte até Santarém, a administração superior conseguiu parceria com o 8º Batalhão de Engenharia e Construção (8º BEC) via IBAMA.

Informa ainda que a Polícia Civil de Santarém, na pessoa do delegado Herbert Farias, está apurando a forma de contratação do caminhão envolvido no acidente, mas assegura, de antemão, que não houve contratação oficial por parte da Ufopa e que o carro da Instituição, que aparece nas imagens divulgadas, esteve no local onde a madeira foi apreendida na manhã de sexta-feira, mas com finalidade de verificar e avaliar o produto objeto da doação. Após concluído o processo investigatório, a Universidade deverá fazer novo posicionamento.

Afirma que, até o momento, a Ufopa não foi notificada pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos, mas está à disposição das autoridades. Esclarece ainda que, o reitor da Universidade não compareceu à delegacia de polícia para registrar Boletim de Ocorrência, como noticiado em alguns veículos de comunicação.

Com relação à assistência às famílias das vítimas, no sábado (21), o professor da Ufopa, Raul Amaral, esteve no velório prestando apoio aos familiares em nome da reitoria da Universidade. Também, a Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV), iniciou contatos com as famílias e agendou visitas domiciliares para esta quinta e sexta-feira, 26 e 27 de setembro, respectivamente. Uma psicóloga e uma assistente social farão o acompanhamento dos envolvidos.

A administração superior da Ufopa lamenta profundamente o ocorrido e coloca-se à disposição para contribuir com o que for necessário até que os fatos sejam totalmente esclarecidos.”

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