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Queimadas: reportagem mal feita do site da Globo gera histeria e desinformação (veja o vídeo)

Queimadas: reportagem mal feita do site da Globo gera histeria e desinformação (veja o vídeo)

Queimada de neurônios cresce 420% na mídia

Quando o G1 disse que a fumaça da região amazônica era responsável por parte do escurecimento do céu em São Paulo, e que as queimadas cresceram 82% este ano em relação ao mesmo período do ano passado, muita gente ficou desesperada imaginando os animaizinhos virando churrasquinho enquanto a Amazônia toda pegava fogo para ser transformada numa grande fazenda de gado e soja. Mas não é assim que funciona. É preciso observar os dados com senso de proporções, parâmetros de comparação e atenção aos detalhes.

Acompanho a entrada de frentes frias no litoral brasileiro há quase 20 anos. As frentes frias que escurecem o céu não são comuns, mas também não são extremamente raras. Acontecem eventualmente e foi o que ocorreu no último dia 19/08. Não significa dizer que não havia fumaça, mas atribuir a ela parte da nebulosidade sem quantificar essa influência só serve para gerar histeria.

O G1 disse ainda que esta “é a maior alta e também o maior número de registros [de queimadas] em 7 anos no país”, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerados com com base em imagens de satélite. No entanto, indo direto aos dados encontramos informações pra lá de interessantes:

1 – O aumento em relação ao mesmo período do ano passado é de aproximadamente 40%, não 82%; Mesmo que os números mudem até o fim do mês, não devem mudar tanto assim;

2 – O maior número de registros dos últimos 7 anos (de janeiro a agosto) parece estar em 2016 (81.023), não em 2019 (74.155 até 21/08). Quando completar o mês, pode ser que 2019 supere 2016;

3 – Mesmo havendo registros desde 1998, resolveram falar “dos últimos 7 anos” para evitar 2012, onde o número de registros de janeiro a agosto foi de 86.337, e os anos do governo Lula que bateram todos os recordes;

4 – Nas comparações mês a mês, 2019 não está muito fora da média. Está um pouco acima nos meses menos críticos e um pouco abaixo nos meses mais críticos, até agora;

5 – Dos recordes mês a mês, quase todos ocorreram entre 2003 e 2007, no governo Lula, e um em 2016 (fevereiro), no governo Dilma;

6 – Considerando os números totais do ano, com exceção de 2002, governo FHC, os piores anos foram todos no governo Lula;

7 – Agosto é um mês onde sempre ocorre um aumento enorme, bem propício para quem quer fazer sensacionalismo.

Confira mais detalhes no vídeo.

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