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Mapa da dengue aponta 157 municípios em situação de risco e 525 em alerta

Mapa da dengue aponta 157 municípios em situação de risco e 525 em alerta

Para apoiar estados e municípios contra a doença, Ministério da Saúde dobrará investimentos adicionais em 2014

Mapa da Dengue

Mapa da Dengue

Novo mapa da dengue revela que 157 municípios brasileiros estão em situação de risco para a doença, outros 525 em alerta e 633 cidades com índice satisfatório. Os dados são do Levantamento Rápido de Índice paraAedes aegypti (LIRAa), apresentado nesta terça-feira (19) pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha e pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

O levantamento, elaborado pelo Ministério da Saúde em conjunto com estados e municípios, foi realizado entre 1º outubro e 08 de novembro deste ano em 1.315 cidades e tem como objetivo identificar onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito transmissor da doença.

Para intensificar as ações de vigilância, prevenção e controle da dengue, o Ministério da Saúde está dobrando o volume de recursos adicionais que serão repassados a todos os estados e municípios brasileiros. Portaria autorizando o repasse de R$ 363,4 milhões foi assinada hoje pelo ministro Alexandre Padilha. Os recursos são para incrementar os investimentos realizados nas ações de vigilância em saúde, que somam R$ 1,2 bilhão.

Este montante adicional significa um acréscimo 110% em relação ao que foi transferido em 2012 e contempla todos os municípios do país. No ano passado, foram transferidos R$ 173,3 milhões. Em contrapartida, os municípios precisam cumprir metas como assegurar a quantidade adequada de agentes de controle de endemias, garantir a cobertura das visitas domiciliares pelos agentes e realizar o LIRAa.

“Hoje estamos começando o campeonato contra a dengue. O Ministério da Saúde tem feito o esforço de não esperar começar os casos e as transmissões de dengue – que ocorrem de janeiro a maio – para mobilizar o conjunto dos prefeitos e secretários municipais, além da sociedade civil”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a apresentação do LIRAa e lançamento da campanha nacional.

O ministro chamou a atenção para a redução dos óbitos em comparação com anos anteriores, que apresentaram, inclusive, números inferiores de notificações. Ele lembrou que esta queda é resultado do esforço do Ministério da Saúde e dos gestores locais em reforçar a assistência ao paciente com dengue. “Ainda não estamos satisfeitos. Queremos reduzir mais a mortalidade por dengue, principalmente dos grupos mais vulneráveis como idosos e pessoas com doenças associadas”, observou Padilha.

LEVANTAMENTO  – Nos municípios classificados em situação de risco, mais de 4% dos imóveis pesquisados apresentaram larvas do mosquito. É considerado estado de alerta quando os imóveis pesquisados apresentam índice entre 1% a 3,9% e satisfatório quando fica abaixo de 1%.

O levantamento também revelou que três capitais estão em situação de risco: Cuiabá, Rio Branco e Porto Velho. Outras 11 – Boa Vista, Manaus, Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Goiânia, Campo Grande; Rio de Janeiro e Vitória –  apresentaram situação de alerta e seis estão com índices satisfatórios (Macapá; João Pessoa; Teresina; Belo Horizonte; Curitiba e Porto Alegre). Sete capitais – Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis – ainda não apresentaram ao Ministério da Saúde os resultados do LIRAa.

CRIADOUROS – Além de ajudar os gestores a identificar os bairros em que há mais focos de reprodução do mosquito, o LIRAa também aponta o perfil destes criadouros. Segundo o levantamento, 37,5% dos focos estão em formas de armazenamento de água, 36,4% em espaços em que o lixo não está sendo manejado adequadamente e 27,9% em depósitos domiciliares.

Esse panorama varia entre as regiões. Enquanto na região Sudeste, 47,9% dos focos estão dentro das residências, no Nordeste, o armazenamento de água é a principal fonte de preocupação, com índice de 75,9%. Já o Sul e o Centro-Oeste têm no armazenamento de lixo o principal desafio, com taxas de 81,2% e 49,7%, respectivamente.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, explicou que a pesquisa indica, antecipadamente, onde estão os principais focos, enquanto há tempo de agir. “Com base nos criadouros, o LIRAa orienta  que tipo de ação o gestor local deve adotar. O número de casos dá um panorama do passado, já o levantamento mostra onde pode ter maior incidência no próximo ano.”, observou o secretário. Segundo ele, as prefeituras que usarem o LIRAa como instrumento de intervenção,  podem reduzir os casos de dengue.  “Além de mostrar qual é o bairro com maior incidência, o mapa revela o depósito predominante”, explicou Jarbas Barbosa.

NOVA CAMPANHA- O jogador Cafu, capitão da seleção pentacampeã do mundo de futebol, está se unindo ao esforço do Ministério da Saúde no combate à dengue. Ele participa da campanha deste ano para alertar a população sobre a importância de eliminar os criadouros do mosquitoAedes aegypt. No lançamento da campanha nesta terça-feira, o jogador – que estava presente – falou da importância da campanha de conscientização.

“Com uma maneira simples, nós podemos mudar esta realidade. Como a própria campanha diz, bastam 15 minutos, o intervalo entre um jogo e outro, para que as pessoas realizem uma fiscalização em suas casas e vejam se não há focos do mosquito”, disse o jogador.

Com o slogan “Não dê tempo para a Dengue”, as peças serão veiculadas em TVs, rádio, internet, redes sociais e mídias impressa e exterior. O objetivo é mostrar que a prevenção leva pouco tempo, mas o suficiente para proteger familiares e vizinhos.

Além do reforço na orientação à população, o Ministério da Saúde adquiriu 100 toneladas de larvicida, 227 mil litros de adulticida e 10,4 mil kits diagnósticos, que estão sendo enviados aos municípios. Para os profissionais, estão sendo distribuídos guias de classificação de risco e tratamento, além de capacitações por meio da Universidade Aberta do SUS (UnaSUS).

REDUÇÃO DE ÓBITOS – O reforço na assistência básica ao paciente com dengue, que vem sendo ampliado ano a ano pelo Ministério da Saúde, resultou em redução gradativa dos casos graves e óbitos de dengue.

Em comparação com 2010, houve uma queda de 61% nos casos graves (de 16.758 para 6.566) e de 10% nos óbitos (de 638 para 573), mesmo com o crescimento no número de notificações da doença.

Com estes avanços, foi possível reduzir a taxa de letalidade da doença: a proporção de óbitos diminuiu quase pela metade, passando de sete mortes a cada 10 mil casos para quatro óbitos a cada 10 mil notificações.

Também houve diminuição da frequência da gravidade dos casos. Em 2010, de cada mil doentes, 17 chegavam a um quadro grave; em 2013, a parcela ficou em quatro casos graves para cada mil notificações.

Com isso, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), até agosto, o Brasil apresentou taxa de mortalidade de 0,03.

Em 2013, foram notificados 1,4 milhão de casos prováveis de dengue no país, em decorrência de uma maior circulação do subtipo tipo 4 do vírus causador da doença, que respondeu por 60% dos casos.

A região Sudeste, responsável por 63,4% dos casos com 936.500 registros, tem o maior número de casos, seguida pela região Centro-Oeste (271.773 casos; 18,4%), Nordeste (149.678 casos; 10,1%), Sul (70.299 casos; 4,8%) e Norte (48.667 casos; 3,3%).

CUIDADOS – Aos primeiros sintomas da dengue (febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos), a recomendação do Ministério da Saúde é procurar o serviço de saúde mais próximo e não se automedicar. Quem usa remédio por conta própria pode mascarar sintomas e, com isso, dificultar o diagnóstico.

Para diminuir a proliferação do mosquito, é importante que a população verifique o adequado armazenamento de água, o acondicionamento do lixo e a eliminação de todos os recipientes sem uso  que possam acumular água e virar criadouros do mosquito.

Além disso, é essencial cobrar o mesmo cuidado do gestor local com os ambientes públicos, como o recolhimento regular de lixo nas vias, a limpeza de terrenos baldios, praças, cemitérios e borracharias.

ANEXO 1- Distribuição dos recursos adicionais por Estado

Além de receberem, juntos, R$ 1,2 bilhão para ações de vigilância, estados e municípios terão recursos adicionais específicos para enfrentamento à dengue:

UF VALOR
RO R$ 5.058.224,39
AC R$ 2.564.316,26
AM R$ 12.505.060,38
RR R$ 1.910.571,72
PA R$ 24.886.724,87
AP R$ 2.484.962,19
TO R$ 4.504.656,39
Norte R$ 53.914.516,20
                     MA R$ 20.442.741,66
PI R$ 6.526.032,86
CE R$ 17.767.013,99
RN R$ 6.665.579,76
PB R$ 7.882.619,57
PE R$ 18.440.475,84
AL R$ 6.539.571,99
SE R$ 4.359.662,90
BA R$ 29.319.733,52
Nordeste R$ 117.943.432,09
MG R$ 40.997.975,51
ES R$ 7.442.917,50
RJ R$ 32.254.455,50
SP R$ 49.178.832,92
Sudeste R$ 129.874.181,43
PR R$ 12.529.630,73
SC R$ 7.580.678,42
RS R$ 12.761.347,74
Sul R$ 32.871.656,89
MS R$ 5.022.738,18
MT R$ 7.888.773,63
GO R$ 12.709.950,89
DF R$ 3.153.571,77
Centro-Oeste R$ 28.775.034,47
BRASIL R$ 363.378.821,08

ANEXO 2- Balanço da dengue 2010 – 2013

UF Semana epidemiológica 1 a 42
Casos Notificados Casos Graves Óbitos
2010 2013 2010 2013 2010 2013
RO 18.670 9.365 351 28 18 3
AC 26.217 2.577 56 4 5 0
AM 4.921 16.858 238 96 6 9
RR 7.373 849 275 1 5 0
PA 11.346 8.682 357 37 17 10
AP 2.878 1.667 11 7 3 2
TO 8.449 8.669 50 17 4 4
Norte 79.854 48.667 1.338 190 58 28
MA 5.184 3.586 192 36 4 12
PI 6.615 4.664 115 19 7 1
CE 15.854 32.039 169 159 13 54
RN 6.302 16.035 238 102 7 8
PB 5.833 13.050 90 92 5 14
PE 33.177 8.650 1074 42 24 19
AL 45.449 8.935 450 16 21 4
SE 564 745 34 5 0 3
BA 41.803 61.974 974 125 33 21
Nordeste 160.781 149.678 3.336 596 114 136
MG 212.157 435.828 1.367 360 83 116
ES 22.835 66.874 1.468 1.686 13 23
RJ 26.800 212.933 2.437 1.207 41 48
SP 205.796 220.865 2.897 428 140 72
Sudeste 467.588 936.500 8.169 3.681 277 259
PR 36.645 69.444 184 224 13 24
SC 180 370 1 1 0 0
RS 3.633 485 52 1 0 0
Sul 40.458 70.299 237 226 13 24
MS 62.489 81.741 1792 695 42 34
MT 33.550 34.012 875 99 51 27
GO 95.527 140.399 997 1.063 78 58
DF 14.840 15.621 41 16 5 7
Centro-Oeste 206.406 271.773 3.705 1.873 176 126
BRASIL 955.087 1.476.917 16.785 6.566 638 573

Por Carlos Américo, da Agência Saúde

 

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