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Jornalista armado? Repórteres policiais de Santarém opinam sobre a questão

Jornalista armado? Repórteres policiais de Santarém opinam sobre a questão
16 de maio de 2019 0 Comentário
Recentemente o presidente Jair Bolsonaro decretou a possibilidade de porte de arma para algumas categorias profissionais. Os jornalistas constam na lista, e nossa reportagem ouviu a opinião de parte dos profissionais santarenos, que no dia a dia cumprem a missão de deixar bem informada a população, sobre as ocorrências policiais.

Atuando há quase 40 anos na cobertura policial, o repórter Wiliares Souza, o popular Coruja, diz que a sua arma sempre foi e sempre será Deus:

“A minha preocupação não é somente com os repórteres policiais que irão andar armados, a minha preocupação é com toda população, porque você já pensou uma pessoa andar armada com revólver na cintura, se a gente já verifica que o nego mesmo andando desarmado já há muitos e muitos crimes na cidade, já pensou uma pessoa armada em um bar, em uma boate, os similares, o cara se desequilibra pega uma arma e sai fazendo besteira. A minha opinião como repórter policial, é que os profissionais jornalista podem andar armados sim, isso é importante para todos nós repórteres policiais. Mas a minha arma é Deus. Porém eu também não discuto a decisão. A minha opinião formada é essa, agora eu fico preocupado com o povo brasileiro armado por aí. A criminalidade aumentou assustadoramente sem o nego andar armado, já pensou agora nego andar armado, eu acho que o Presidente Jair Bolsonaro foi infeliz em autorizar arma na mão de todo mundo”, declarou Sousa.

Para o jornalista Valdir Ribeiro, que também é Bacharel em Direito, o trabalho responsável do profissional da imprensa, é base para uma tomada de decisão.

“Quem quiser usar arma, que trabalha na reportagem policial, que use, acho que cada sujeito, cada indivíduo, cada profissional, tem o livre arbítrio em escolher após a medida do presidente Jair Bolsonaro. Agora no meu lado, eu por exemplo, não vou andar armado e nem vou me preocupar com ameaça. Não vou me preocupar com as situações dessa natureza contra minha pessoa, porque primeiro a gente procura fazer um trabalho responsável, como é esse trabalho responsável? Respeitando as pessoas, respeitando o direito das pessoas. Sempre a reportagem precisa ter os dois lados. Se tem a denúncia, tem de ouvir o lado da defesa, para que todos possam realmente ter a participação, ter a sua parte de uma forma assim bem clara na reportagem. Então na minha opinião, quem quiser andar armado ande, mas eu não vou andar, porque quando você trabalha de forma responsável, você tem o respeito das pessoas”, enfatizou Valdir Ribeiro.

Diolando de Sousa, que atua no radiojornalismo, diz que a utilização de arma de fogo tem dois vieses, um da segurança e outro da tragédia, e que não está disposto a andar armado.

“Se eu sirvo um Deus verdadeiro, se esse Deus é dono da minha vida, não tem porque eu usar uma arma de fogo, se eu acordo de manhã peço para ele a proteção. Então Deus é o meu guia, ele é a minha fortaleza. A arma pode evitar uma situação de insegurança, como também ela pode trazer uma tragédia para você. Na minha opinião, eu acho que eu não usaria arma, nem que eu tenha esse decreto a meu favor como repórter policial, no entanto, não sou contra, pois a gente está todos os dias ali entrevistando homicidas, traficantes, pistoleiros, integrantes de facções criminosas. No entanto, mesmo assim, a minha opinião, como repórter policial, não usaria arma, porque a minha arma é Deus”, explicou o radialista.

Outro que expressou sua opinião ao O Impacto, foi repórter Marcelo Silva, que concorda com o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, com exceção, de algumas categorias de profissionais:

“Em relação aos jornalistas, eu concordo totalmente que os profissionais que realizam a cobertura policial andem armados, justamente porque lidamos com uma área muito perigosa. Então, realmente para nós jornalistas que cobrimos a área policial sou favorável sim. Agora outros segmentos a qual foi aberto, como por exemplo, o pessoal do trânsito, ou outras categorias aí eu sou totalmente contra, em relação,ao porte de arma. Já sobre a posse de arma, sou a favor que a pessoas tenham em casa, para se resguardarem, pois realmente a criminalidade chega na casa de cada pessoa. Agora o porte de arma eu achei infeliz a liberação para certo ou determinado segmento. No meu caso como repórter que trabalha também com ocorrências policiais, não vou comprar arma, não quero arma de fogo, eu me conheço, sei que não é bom para mim ter uma arma de fogo, como é para um policial, por exemplo. A arma que eu ando no meu carro é a Bíblia Sagrada. Eu confio em nosso senhor Jesus Cristo, e somente nele, só Jesus Cristo e pronto, acabou. A arma de fogo para mim não, mas eu apoio sim, para outros colegas que cobrem área policial possam andar armados”, afirma Silva.

Com opinião contundente, o repórter Bena Santana afirma que esse não é o caminho a ser seguido, pois expõe os profissionais ao perigo iminente.

“Eu sou contra. Sinceramente com relação ao decreto, acredito que houve uma precipitação. Deveria haver uma discussão com o próprio Congresso Nacional, com o Supremo, Ministério Público. É claro que o presidente tem autonomia para assinar o decreto, mas deveria ter conversado antes. Tem coisas que eu achei em excesso e que pode causar, como já estão causando problemas. Eu falei com um delegado da Polícia Civil aqui de Santarém no final da semana que passou. Perguntei a ele o que ele achava, porque li em diversos jornais que tem o risco até para o próprio repórter, e questionei como ele interpretava. Como resposta ele disse; ‘-porque o bandido, o assaltante, vai te olhar agora achando que você está armado também. Então eu não uso, não tenho nenhuma intenção. Não vou usar, e acredito que esta questão precisa ser reavaliada. Penso que o Congresso está certo quando chamou atenção, e que vai averiguar, pois tem pontos ali que estão em excesso. Agora, é claro que você tem de se defender, mas eu acho que não é por aí. Na minha opinião, estão pegando muita corda dos Estados Unidos. Lá é frequente invasões às escolas e mortes, lamentavelmente resultado desses atentados. Então, acho que, nós no Brasil somos nós, a gente tem de trabalhar com mais calma. Essa é a minha opinião”, opinou Bena Santana.

FENAJ DIZ NÃO AO ARMAMENTO DE PROFISSIONAIS: Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade de representação nacional da categoria, que congrega os Sindicatos de Jornalistas do país, vem a público reafirmar sua posição de defesa do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 22/12/2003), aprovado após amplo debate nacional. A FENAJ considera inadequada sua alteração por decreto, sem o devido e necessário debate democrático. O Poder Executivo não pode agir autocraticamente, usurpando competência do Poder Legislativo de aprovar e alterar leis.

Ao modificar o Estatuto do Desarmamento para facilitar o transporte de armas para determinadas categorias profissionais, que não mais precisarão comprovar a necessidade de portá-las, o governo Bolsonaro promove o armamento da população que, comprovadamente, não contribui para a diminuição da violência. Ao contrário, a posse de armas de fogo pela população é determinante para mortes acidentais e contribui significativamente para o aumento da violência social.

Quanto aos jornalistas que fazem cobertura policial, a FENAJ entende que a posse/transporte de armas não vai contribuir para a segurança dos profissionais, que devem cuidar da produção da notícia, sem exposições ou enfrentamentos que coloquem em risco sua integridade física. O porte de arma pode, inclusive, transformar o jornalista em alvo.

Cabe ao aparato de segurança do Estado garantir a segurança dos jornalistas e demais profissionais da comunicação no exercício profissional, ainda que em coberturas jornalísticas nas quais os profissionais são expostos a riscos. Igualmente, cabe às empresas jornalísticas adotarem medidas para mitigar os riscos a que são submetidos os jornalistas nas coberturas policiais e em outras situações em que a segurança dos profissionais esteja em xeque. A FENAJ tem defendido a ação, por parte das empresas jornalísticas, de um Protocolo de Segurança para a atuação profissional, que inclui a criação de comissões de segurança nas redações para avaliação de cada situação específica, bem como o fornecimento de equipamentos de proteção individual e treinamento para os jornalistas que cobrem conflitos sociais.

A responsabilidade pela segurança dos jornalistas e demais profissionais da comunicação não pode ser transferida; é do Estado em corresponsabilidade com as empresas empregadoras.

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto

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