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Entre lutas e conquistas, os negros seguem em busca dos seus espaços

Entre lutas e conquistas, os negros seguem em busca dos seus espaços (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará) No dia da Consciência Negra, comemorado hoje (20), o movimento diz que o País ainda é racista e limita historicamente os espaços sociais. (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)
O Dia da Consciência Negra, comemorado neste 20 de novembro, foi instituído ainda em 2003 como forma de reforçar a importância da luta e da cultura negra na formação da sociedade nacional. A data foi escolhida por ter sido marcada, ainda no ano de 1695, pela morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que foi morto em combate ao lutar contra a escravidão no período colonial brasileiro. Passados mais de 320 anos, a população negra brasileira ainda luta para, antes de tudo, desmistificar a falsa ideia de que não existe mais racismo no país.

Professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), doutora em antropologia e uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), Zélia Amador destaca que o racismo continua a fazer parte do cotidiano das pessoas negras, acompanhando-as desde muito cedo. Em grande parte, tal racismo se sustenta pela própria negação que ainda se vê na sociedade. “O racismo se mantém muito pela ideia de que aqui não tem racismo, de que aqui há democracia racial, de que só há racismo nos Estados Unidos…”, analisa. “Esse tipo de racismo que é silencioso, que vai matando no silêncio, tirando as oportunidades no silêncio, é o racismo que acontece no Brasil e na América Latina de modo geral”.

Apesar da luta cotidiana do movimento negro contra uma falsa ideia de democracia racial, Zélia destaca que a sociedade ainda não acredita que o fato de o jovem negro ser o que mais morre no Brasil se dá em decorrência do racismo e nem que as mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídios por causa do racismo. “Ninguém acha que o jovem morreu por causa do racismo. Isso é o racismo estrutural que passa por todas as relações sociais estabelecidas nas sociedades racistas e que se incorpora no senso comum e no imaginário social das sociedades”, aponta. “Quando o jovem negro morre de fato, fisicamente, a sociedade já o havia matado simbolicamente”.

CONJUNTO

Aliado ao racismo estrutural, a professora destaca que a pessoa negra ainda enfrenta o problema em duas outras esferas. O institucional atua de forma silenciosa, diminuindo as oportunidades das pessoas negras. Em meio a todo esse cenário, ainda há que se lidar com o individualizado, que, infelizmente, faz parte do cotidiano da população negra desde o seu nascimento. “São os olhares, as crianças negras que não conseguem coleguinhas para brincar, as adolescentes negras que não conseguem par nas festinhas da escola”, exemplifica. “É um conjunto. São três tipos de preconceitos atuando de forma conjunta na vida das pessoas negras”.

Mesmo assim, ela cita alguns avanços sociais. “Hoje nós temos mais negros nas universidades porque se conseguiu aprovar a política de cotas; a gente tem muitos coletivos negros surgindo e lutando; e o racismo é crime inafiançável e imprescritível, conforme a constituição”, elenca. “Apesar de todos os revezes, o movimento não parou de lutar esse tempo inteiro e tem conseguido avançar, então eu espero que a resistência seja a palavra de ordem do movimento negro daqui para a frente”.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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